Ler o livro Histórias de Avô e Avó do Arthur Nestrovski com a Luísa está sendo uma delícia. Ainda não sei porque, mas ela realmente se identificou com ele. Ontem lemos o penúltimo capítulo antes de dormir e daí eu disse que só faltava mais um. Ela disse "Aaaaahhhh..."
Por que será que a gente gosta tanto de lembrar de Vô e Vó? Tem muitos livros bacanas que falam dessas lembranças. Outro dia minha amiga Adriana me lembrou do Bisa Bia e Bisa Bel da Ana Maria Machado. Acho que a gente já teve esse livro em casa, procurei para ler para a Lulu, mas não encontrei. Agora estou louca para pegá-lo lá na Barca dos Livros porque a história é muito divertida e emocionante.
Outro livro bem bacana, mas que sempre me faz chorar é o Menina Nina do Ziraldo. Ele conta a história da Vó Vivi por quem me apaixonei porque me lembra minha própria avó, minha Iaia. Desafio a qualquer um ler esse livro sem fazer brotar lágrimas nos olhos. Mas não pare na última página - leia também o que o Ziraldo escreve depois de acabar a história - o "making of" do livro e uma linda homenagem às avós do Brasil.
E só mais uma dica de livro maravilhoso, daqueles que faz a gente sonhar, voar, esquecer da realidade. É Um Cantinho Só Prá Mim da Ruth Rocha. Conta a história do Pedro que achou um cantinho "só prá ele" na casa da avó - só poderia ser na casa da avó - para "pensar, ficar pensando... pensando... coisas que não existem... Inventar coisas... Imaginar coisas..."
Talvez essa postagem não esteja falando muito sobre leituras compartilhadas, mas é que o simples fato de compartilhar alguma coisa tem efeito dominó, como eu já comentei antes. Uma coisa puxa a outra e de repente estou eu aqui compartilhando mais do que minhas experiências de leitura em família.
E já que eu estou falando de histórias de avô e avó vou contar do projeto maravilhoso que minha amiga Paula Berlinck fazia com os alunos de segundo ano dela lá em São Paulo. Ela lia com a turma delao mesmo livro que eu estou agora lendo para a Luísa. Depois convidava os alunos a fazer entrevistas com os avós e descobrir mais detalhes sobre as histórias deles. No final do projeto professora e alunos montavam uma exposição maravilhosa, com mil tesouros de família emprestados, coisas de Vô, Vó, Biso, Bisa... Cada objeto tinha uma história e assim as crianças aprendiam mais sobre quem eram, de onde vinham. Tem jeito mais mágico de aprender?
Estou morrendo de saudades de ver esse projeto e morrendo de pena porque a Lulu não teve a oportunidade de ser aluna da Paula. Mas acho que dá prá fazer um mini projeto aqui em casa mesmo. Ainda bem que eu tive a oportunidade de aprender com a minha amiga.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Começando pelo Começo
Estou empenhadíssima nos estudos e comecei por um livrinho da Ana Maria Machado chamado Como e Por Que Ler os Clássicos Universais Desde Cedo. O livro faz parte de uma coleção chamada Como e Por Que Ler, da editora Objetiva. A Ana Maria Machado conta logo no primeiro capítulo de quando era bem pequena e seu pai lhe contou a história de Dom Quixote. Foi diferente de ler para ela, já que a linguagem do original de Cervantes é sofisticada e certamente fora do alcance de compreensão de uma criança pequena (e certamente até de uma criança grande).
Ontem à tarde passei os olhos pelas estantes de livros e vi que o Pedro tinha uma adaptação para crianças do D. Quixote. Resolvi começar por ele mesmo! Depois do almoço, nos sentamos no chão, Luísa e eu, bem embaixo do ventilador de teto. Começamos pela apresentação que não era de outra senão da própria Ana Maria Machado. Foi uma surpresa para mim. Aproveitei para contar prá Luísa que eu estava lendo um livro daquela autora e que ela mesma também já conhecia a Ana Maria porque recentemente leu Bem do Seu Tamanho. É muito legal observar as conexões que as crianças fazem quando reconhecem o nome de um autor e percebem que eles são 'criadores'. Tenho certeza que da próxima vez que a Luísa for a uma livraria e enxergar um livro da Ana Maria Machado, vai se lembrar do D. Quixote e do Bem do Seu Tamanho.
Bem, começamos a nos aventurar pela história do fidalgo Dom Quixote e de como ele resolveu se tornar cavaleiro andante e sair pelo mundo em busca de aventuras. Li um capítulo só porque a cada quanto parávamos para comentar alguma palavra diferente ou alguma coisa engraçada que aparecia pelo texto. Assim ficamos durante uma meia hora que para mim era uma boa quantidade de tempo para começar já que a história é tão complexa. Deixei o livro em cima da cabeceira e fui fazer outras coisas achando que a Luísa ia sair pela janela para brincar no jardim. Mas mal virei as costas e a mocinha catou o livro para continuar lendo sozinha. Não aguentou de curiosidade e leu mais um capítulo todinho. À noite, enquanto jantávamos, ela perguntou:
-Mas o Dom Quixote era louco mesmo? Ou era cavaleiro de verdade?
Lembrei-me do livro do Sítio do Picapau Amarelo em que D. Benta conta às crianças a história de D. Quixote, respondendo de tanto em tanto às perguntas dos netos e de Emília. Resolvi responder com as palavras da D. Benta e fui ao escritório atrás do livro antigo, de capa dura verde escura. Encontrei o trecho onde D. Benta explicava porque D. Quixote tinha ficado louco, mas quem disse que a Luísa se contentou com isso? No momento em que ela percebeu as diferenças entre as duas adaptações para crianças, me fez ler o primeiro capítulo da versão do Monteiro Lobato. O tempo inteiro a Luísa ia me interrompendo e dizendo:
-Mas no outro livro eles não explicam assim, explicam assado.
Adorei ouvir as comparações que ela fazia e perceber que ela realmente estava entendendo a história e todos os seus detalhes. Também já vi que vou ter que ler os dois livros ao mesmo tempo porque a Luísa não vai se satisfazer com uma versão só. Realmente a Ana Maria Machado tinha razão quando disse que "Dom Quixote não se esgota em uma só leitura nem uma só adaptação. Sempre deixa o leitor com gosto de quero-mais".
Em tempo: essa também é a minha primeira vez lendo Dom Quixote. Estamos só no começo, mas já estou me coçando para comprar o original em espanhol...
Ontem à tarde passei os olhos pelas estantes de livros e vi que o Pedro tinha uma adaptação para crianças do D. Quixote. Resolvi começar por ele mesmo! Depois do almoço, nos sentamos no chão, Luísa e eu, bem embaixo do ventilador de teto. Começamos pela apresentação que não era de outra senão da própria Ana Maria Machado. Foi uma surpresa para mim. Aproveitei para contar prá Luísa que eu estava lendo um livro daquela autora e que ela mesma também já conhecia a Ana Maria porque recentemente leu Bem do Seu Tamanho. É muito legal observar as conexões que as crianças fazem quando reconhecem o nome de um autor e percebem que eles são 'criadores'. Tenho certeza que da próxima vez que a Luísa for a uma livraria e enxergar um livro da Ana Maria Machado, vai se lembrar do D. Quixote e do Bem do Seu Tamanho.
Bem, começamos a nos aventurar pela história do fidalgo Dom Quixote e de como ele resolveu se tornar cavaleiro andante e sair pelo mundo em busca de aventuras. Li um capítulo só porque a cada quanto parávamos para comentar alguma palavra diferente ou alguma coisa engraçada que aparecia pelo texto. Assim ficamos durante uma meia hora que para mim era uma boa quantidade de tempo para começar já que a história é tão complexa. Deixei o livro em cima da cabeceira e fui fazer outras coisas achando que a Luísa ia sair pela janela para brincar no jardim. Mas mal virei as costas e a mocinha catou o livro para continuar lendo sozinha. Não aguentou de curiosidade e leu mais um capítulo todinho. À noite, enquanto jantávamos, ela perguntou:
-Mas o Dom Quixote era louco mesmo? Ou era cavaleiro de verdade?
Lembrei-me do livro do Sítio do Picapau Amarelo em que D. Benta conta às crianças a história de D. Quixote, respondendo de tanto em tanto às perguntas dos netos e de Emília. Resolvi responder com as palavras da D. Benta e fui ao escritório atrás do livro antigo, de capa dura verde escura. Encontrei o trecho onde D. Benta explicava porque D. Quixote tinha ficado louco, mas quem disse que a Luísa se contentou com isso? No momento em que ela percebeu as diferenças entre as duas adaptações para crianças, me fez ler o primeiro capítulo da versão do Monteiro Lobato. O tempo inteiro a Luísa ia me interrompendo e dizendo:
-Mas no outro livro eles não explicam assim, explicam assado.
Adorei ouvir as comparações que ela fazia e perceber que ela realmente estava entendendo a história e todos os seus detalhes. Também já vi que vou ter que ler os dois livros ao mesmo tempo porque a Luísa não vai se satisfazer com uma versão só. Realmente a Ana Maria Machado tinha razão quando disse que "Dom Quixote não se esgota em uma só leitura nem uma só adaptação. Sempre deixa o leitor com gosto de quero-mais".
Em tempo: essa também é a minha primeira vez lendo Dom Quixote. Estamos só no começo, mas já estou me coçando para comprar o original em espanhol...
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