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terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais histórias de avô e avó

Ler o livro Histórias de Avô e Avó do Arthur Nestrovski com a Luísa está sendo uma delícia.  Ainda não sei porque, mas ela realmente se identificou com ele.  Ontem lemos o penúltimo capítulo antes de dormir e daí eu disse que só faltava mais um.  Ela disse "Aaaaahhhh..."

Por que será que a gente gosta tanto de lembrar de Vô e Vó?  Tem muitos livros bacanas que falam dessas lembranças.  Outro dia minha amiga Adriana me lembrou do Bisa Bia e Bisa Bel da Ana Maria Machado.  Acho que a gente já teve esse livro em casa, procurei para ler para a Lulu, mas não encontrei.  Agora estou louca para pegá-lo lá na Barca dos Livros porque a história é muito divertida e emocionante.

Outro livro bem bacana, mas que sempre me faz chorar é o Menina Nina do Ziraldo.  Ele conta a história da Vó Vivi por quem me apaixonei porque me lembra minha própria avó, minha Iaia.  Desafio a qualquer um ler esse livro sem fazer brotar lágrimas nos olhos.  Mas não pare na última página - leia também o que o Ziraldo escreve depois de acabar a história - o "making of" do livro e uma linda homenagem às avós do Brasil.
E só mais uma dica de livro maravilhoso, daqueles que faz a gente sonhar, voar, esquecer da realidade.  É Um Cantinho Só Prá Mim da Ruth Rocha.  Conta a história do Pedro que achou um cantinho "só prá ele" na casa da avó - só poderia ser na casa da avó - para "pensar, ficar pensando... pensando... coisas que não existem...  Inventar coisas...  Imaginar coisas..."

Talvez essa postagem não esteja falando muito sobre leituras compartilhadas, mas é que o simples fato de compartilhar alguma coisa tem efeito dominó, como eu já comentei antes.  Uma coisa puxa a outra e de repente estou eu aqui compartilhando mais do que minhas experiências de leitura em família.

E já que eu estou falando de histórias de avô e avó vou contar do projeto maravilhoso que minha amiga Paula Berlinck fazia com os alunos de segundo ano dela lá em São Paulo.  Ela lia com a turma delao mesmo livro que eu estou agora lendo para a Luísa.  Depois convidava os alunos a fazer entrevistas com os avós e descobrir mais detalhes sobre as histórias deles.  No final do projeto professora e alunos montavam uma exposição maravilhosa, com mil tesouros de família emprestados, coisas de Vô, Vó, Biso, Bisa...  Cada objeto tinha uma história e assim as crianças aprendiam mais sobre quem eram, de onde vinham.  Tem jeito mais mágico de aprender?

Estou morrendo de saudades de ver esse projeto e morrendo de pena porque a Lulu não teve a oportunidade de ser aluna da Paula.  Mas acho que dá prá fazer um mini projeto aqui em casa mesmo.  Ainda bem que eu tive a oportunidade de aprender com a minha amiga.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

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Há vários dias que estamos lendo juntos um livro chamado Histórias de Avô e Avó, escrito pelo Arthur Nestrovski que é um músico maravilhoso, um violonista de primeiríssima com talento para fazer um montão de coisas diferentes.  Inclusive escrever livro infantil.  Há uns dias que estamos lendo este livro, a Luísa, o Fê e eu.  Só que não estamos lendo os três juntos, juntos.  De vez em quando o Felipe lê prá Lulu e de vez em quando sou eu quem lê prá ela.  Uma besteira isso.  Deveríamos mesmo era parar de fazer o que quer que seja para curtir quinze ou vinte minutos juntinhos lendo - os três.  E de preferência incluindo o Pedro na história, se bem que ele está bem naquela fase de querer passar loooonge de qualquer coisa com o adjetivo infantil.  Literatura sim, infantil de jeito nenhum.  Mas enfim, acho que esse vai ser o meu próximo desafio.  Transformar esse hábito de leitura compartilhada em leitura em família MESMO.  Todos juntos.  Ao mesmo tempo.


Todo mundo lê muito aqui em casa.  Há livros, revistas, revistinhas espalhados por todos os cômodos.  Mas, não sei porque, somos leitores muito solitários.  Li num livro lindíssimo da Heloísa Seixas chamado Uma Ilha Chamada Livro que "quando um leitor se senta para ler um livro, são duas solidões que se encontram."  Isso é muito lindo, mas vou confessar que eu bem queria que o livro aqui em casa fosse mais socializado.  A gente fala muito 'sobre' livros, troca ideia, opinião, mas eu queria que a gente compartilhasse mais momentos de leitura.  Uma amiga me contou uma vez que na casa dela pais e filhos vivem lendo uns para os outros.  Não que eles leiam sempre juntos, mas quando encontram alguma coisa de que gostam muito sentem uma necessidade enorme de compartilhar.  Eu também sinto isso, mas em vez de ler para o meu marido ou para as crianças, acabo passando o livro (texto, artigo, o que for) para eles e dizendo "Olha que lindo!"  Só que desse jeito a emoção que eu senti ao ler se perde...  porque ela não vai passar pela minha voz, pelos meus olhos, pelo meu corpo.  Fica presa em mim.  Por mais que o outro leitor (quem quer que ele seja) também ache aquilo lindo, a leitura vai ser diferente.  A emoção também.


Eu me pergunto porque nós não temos esse hábito em casa e se é possível mudar isso.  Imagino que sim e que não custa nada tentar.  Já estou aqui fantasiando uma casa cheia de palavras voadoras, onde se lê poesias, crônicas, trechos de livros e, obviamente, artigos sobre futebol o tempo todo em voz alta.  No meio da sala, de pé em cima da mesa, na cozinha, em qualquer lugar!  Vou fazer essa proposta.  Talvez me achem meio doida, mas vou propor de cada um ler para outra pessoa da família alguma coisa que gosta.  Só para ver como a gente se sente.  Depois eu conto como foi.


Mais uma dica - só que essa eu ainda não conheço.  Estava procurando uma imagem do livro do Arthur Nestrovski e dei no site dele na internet.  Descobri que ele tem um lançamento fresquinho:  Agora Eu Era, da Cia. das Letrinhas.  Acho que vale a pena olhar.  Se for parecido com os outros livros dele vai ser tudo de bom!



quinta-feira, 15 de abril de 2010

Especial para quem é Vô e Vó

No finalzinho de fevereiro me dei de presente uma ida a Santiago do Chile para participar do primeiro Congresso Iberoamericano de Lingua e Literatura Infanto-Juvenil.  O congresso foi organizado pela Fundação SM e foi uma experiência indescritível.  Ali estavam autores e ilustradores de toda a América Latina e Espanha falando sobre um tema apaixonante: literatura infantil.  Nem preciso dizer que cada fala era uma aula para mim e que aprendi horrores.  Mas o que mais me tocava, cada vez que alguém falava, eram as histórias de como cada um tinha se tornado leitor, as memórias que cada um tinha do momento em que realmente se transformou, começou a se enxergar, como leitor.  Agora, mais de um mês depois, olhando minhas anotações, percebo o papel fundamental que os avós tiveram na história de alguns desses muito bem-sucedidos autores e  ilustradores.

A história do Antonio Skármeta, por exemplo, é de arrepiar.  Com certeza não vou conseguir reproduzir aqui, nem com a mesma eloquência, nem com a mesma elegância e bom-humor de Skármeta, a história que ele contou, mas fiquei encantada com o trajeto tão peculiar desse autor chileno.  Skármeta tinha uma avó iugoslava com quem sempre ouvia o rádio.  Ouviam juntos as novelas e nos intervalos dos episódios, a avó ia fazendo previsões e contando para o pequeno Antonio o que aconteceria a seguir.  Antonio escutava atento enquanto desenhava os heróis e vilões dos melodramas até que um dia a avó apagou o rádio e disse para ele:
-Agora você, Antonio.  Você me conta o resto.

Esse foi o seu debut como escritor.

O autor mexicano Juan Villoro compartilhava o sofá com Skármeta nesse bate-papo que foi a inauguração do congresso.  Ele também comentou a forma fascinante da sua avó contar histórias.  Villoro disse, em referência à importância das avós que contam histórias para seus netos, que o clássico "Era uma vez..." deveria se transformar em "Era uma voz..."

Meus filhos têm muita sorte de ter avós que gostam de contar e ler histórias para eles.  Lembro da Maria Ida contando para o Pedro bem pequenininho uma historinha (que ela inventou) do homem que subiu numa escada muito, muito alta para limpar as estrelinhas que estavam sujas no céu.  A Amanda, que é a abuelita da Luísa, sempre, sempre lê com ela quando a Lulu vai dormir na casa dela.  E quando minha mãe foi visitar a gente em São Paulo há uns dois anos a Luísa pediu para que eu por favor não lesse a Pippi Meialonga porque ela queria que a Vovó Amada lesse naquele dia.  E em todos os outros dias que minha mãe esteve lá com a gente.  Eu também me lembro bem do meu avô Antônio que contava histórias de bruxa para os meus primos e para mim quando íamos passar as férias com ele e minha avó Jeannette em Santos.  Ficávamos os seis primos sentados na sala, olhos grudados no Vôzinho, todos se pelando de medo, mas sem nem piscar.

Não sei se há memória mais gostosa do que memória de Vô e de Vó.  E não sei se existe algum leitor que não tenha memória do momento em que se tornou leitor.  Acho que juntar as duas coisas é poderoso.  Portanto queridos Vôs e Vós por aí, não se esqueçam de incluir os livros infantis nas suas listas de compras.  Visitas às bibliotecas e livrarias são programas deliciosos!  Arranjem um canto bem gostoso em casa e abandonem-se no prazer de ler com seus netos. 

Dicas: já que falei de Skármeta e Villoro aí vão duas dicas.  Quem ainda não leu A Redação precisa ler urgentemente!  O Juan Villoro ainda não foi traduzido para o português (que pena!) mas Las Golosinas Secretas é delicioso.