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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Releituras

Sei bem que o leitor favorito da Luísa é o Felipe e já estou bem conformada com isso.  Eu sinto só uma pontinha de ciúmes, mas fico bem feliz de saber que eles tem essa conexão tão especial.  Só tenho oportunidade de ler com a Lulu mesmo quando o Felipe não está em casa na hora dela ir para a cama - por isso o livro do Pinóquio está durando tanto.  Ah, sim, porque minha  filha escolhe um livro diferente para cada leitor.  Com o Felipe ela estava lendo Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato e comigo o Pinóquio, do Carlo Collodi.  Cada qual com o seu livro, não vamos misturar as coisas!

No fim de semana vi os dois procurando um dos livros da série do Lobinho, do Ian Whybrow, com tradução do Carlos Sussekind.  Daí perguntei porque eles iam ler aquele livro de novo se já tinham lido ele antes.  Os dois me olharam com a cara mais desentendida do mundo e me explicaram, como se fosse óbvio, que já fazia muuuuuito tempo que tinham lido aqueles livros.  Queriam ler de novo, oras.



Como é que eu pude ser tão obtusa?  Eu mesma vivo justificando a existência de tantos livros em casa assim: não sei nunca quando vou ter vontade de reler este ou aquele título.  Tenho que ter todos os meus favoritos à mão para qualquer emergência!  A razão para a escolha da Luísa era realmente óbvia: as histórias do Lobinho são divertidíssimas!  Dá prá ler muitas e muitas vezes e desfrutar sempre.

Quando eu estava dando aula eu amava os momentos em que me sentava no chão para ler para meus alunos.  Pelo menos uma vez ao dia nos reuníamos para desfrutar juntos de uma história qualquer.  Geralmente escolhia para ler para eles um livro em capítulos, que era para ficar mais emocionante!  Mas o interessante era que entrava ano, saía ano e eu acabava lendo sempre os mesmos livros para as turmas.  As aventuras da Pippi Meialonga, da Astrid Lindgren eram um grande sucesso, assim como os livros do Roald Dahl.  As Histórias de Dragão da Ruth Stiles Gannett costumavam ser uma surpresa emocionante e era sempre o primeiro.  Em tantos anos de sala de aula, nunca me cansei de ler e reler os mesmos livros.

Não foi Jorge Luis Borges quem disse que preferia reler do que ler?

Ontem à noite o Felipe não estava aqui para colocar a molecada na cama, mas eu não li para a Luísa.  Quando entrei no quarto dei com ela absorta na leitura do livro do Lobinho (nem sei qual deles).  Ela estava em pé, ao lado da cama, tão entretida que tinha se esquecido de se deitar.  Em silêncio, puxei o edredon.  Perguntei se ela não queria entrar na cama, ela deu uma risadinha, pulou para dentro dos lençóis, mas não me respondeu.  Ficou ali, totalmente perdida na história até eu pedir para ela desligar o abajur e ir dormir.

Histórias do Lobinho (de Ian Whybrow)
Lobinho na Escola de Enganação
Diário das Façanhas de Lobinho
O Terror Domesticado
O Detetive da Floresta

Histórias da Pippi Meialonga (de Astrid Lindgren)
Pippi Meialonga
Pippi a Bordo
Pippi nos Mares do Sul

Histórias de Dragão (de Ruth Stiles Gannett)
O Dragão de Meu Pai
Aderbal e o Dragão
Os Dragões da Terra Azul

quinta-feira, 25 de março de 2010

Navegando em histórias

Ontem foi um dia cheio de momentos literários. Fomos devolver os livros na biblioteca ao mesmo tempo que a Tânia Piacentini, fundadora da Barca dos Livros, me ligava para convidar para uma saída da barca. Foi um convite inesperado, mas apesar do tempo chuvoso resolvemos aceitar.

Quando entramos na biblioteca a Luísa deu de cara com uma amiga da escola. Eu tinha planejado escolher uns livros gostosos para ler para a Lulu lá mesmo, mas quando ela encontrou com a amiga, tive que mudar meus planos. Fiquei só na vontade de ler prá ela, mas tudo bem. Foi muito gostoso observar, de longe, as duas compartilhando livros. Primeiro tentaram um da série da Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, porque é o livro que a professora está lendo para elas na sala de aula. Não canso de me impressionar com o poder que a leitura em sala de aula tem. Parece que professor é um deus e que qualquer coisa que mostra para os alunos, com entusiasmo, vira objeto sagrado. Eu já tinha lido a Pippi com a Luísa, mas é claro que agora esses livros assumiram outra dimensão.

Depois de trocar para um livro do Ônibus Mágico, da Joanna Cole, porque o livro da Pippi afinal ainda é um pouquinho difícil para leitura independente de uma criança de sete anos, chegou a hora de embarcar. O grupo de tripulantes até que era grande e foi formado às pressas para uma filmagem que um pessoal do Rio de Janeiro estava fazendo. A escola que seria filmada cancelou na última hora por causa da chuva. Foi assim que tivemos a oportunidade de desfrutar do passeio e da contação de histórias.

O espetáculo Frutacontos, do grupo Pé de Histórias, foi lindo! Parados no meio da Lagoa da Conceição, ouvimos a contação de obras fantásticas como O Joelho Juvenal, do Ziraldo, Maneco Caneco Chapéu de Funil do Luís Camargo e o Monstro Peludo, da Henriette Bichonnier. Como sempre, acho que eu desfrutei de tudo ainda mais que as crianças.

Ontem foi minha vez de ouvir. Em vez de ler para a Luísa, tive o prazer de virar a ouvinte. Fiquei pensando em como era gostoso só prestar atenção. Ao mesmo tempo, me deu vontade de procurar os outros livros do Luís Camargo, Panela de Arroz, Bule de Café, para conhecer. Senti na pele que essa empreitada de ler (ou contar histórias) para alguém vale mesmo a pena. Dá uma cosquinha, uma vontadinha de ler mais ainda. Tudo de bom.

P.S. Rolou mais uma historinha antes de dormir porque o Felipe tinha saído para jantar, mas sobre ela eu falo amanhã.

Sociedade Amantes da Leitura - Biblioteca Barca dos Livros
http://www.amantesdaleitura.org/novo/index.php