Roubei esse título de um artigo que uma amiga me mandou anteontem. A Alma Carrasco escreve tudo o que eu gostaria de escrever, suas ideias são claras e seu estilo poeticamente didático. Mas como ainda não aprendi a escrever lindo como ela, vou escrever aqui sobre textos informativos (e do meu jeito mesmo).
No mesmo dia que recebi o artigo da Alma, a Luísa escolheu um livro chamado Invenções Geniais prá gente ler. Ela anda numa febre de Sítio do Picapau Amarelo porque descobriu que já consegue ler as Caçadas de Pedrinho do Monteiro Lobato. Como o livro de invenções traz as personagens do Sítio foi esse mesmo que ela escolheu. A princípio eu não me empolguei muito. Um livro que ensina a fazer objetos e experimentos? Como eu iria ler isso prá ela?
Mas a gente não deve mesmo julgar o livro pela capa. Só de dar uma olhadela pelas primeiras páginas percebi que a leitura seria bacana. Cada duas páginas traz um tema independente, curtinho, que explica a história das invenções. Decidimos ler só três temas porque já era tarde. Foi interessante ver como ela se interessava sobre ferramentas de pedra lascada e a utilização da roda. Percebi que os textos, realmente curtinhos, não saciaram sua curiosidade. A Lulu ficava comentando cada sentença que eu terminava de ler e fazendo perguntas que eu, obviamente, nem sempre conseguia responder.
É muito engraçado refletir sobre essa leitura porque quando eu penso em leitura compartilhada geralmente penso em leitura literária. É difícil definir o que é literário, mas eu basicamente penso em livros ou textos, de ficção ou não, que trazem algum valor estético. Acho que os textos informativos são diretos e não dão margem a múltiplas interpretações por isso não caberiam nessa categoria.
Mas que perda seria a nossa se deixássemos de incluir textos informativos nas nossas leituras compartilhadas! Nos momentos de leitura livre na minha sala de aula era claro o interesse que havia pelos livros de ciências, história, enciclopédias e almanaques. Eu procurava destacar dentro das cestas de leitura livros que tratassem dos temas discutidos nas aulas de matemática, ciências e estudos sociais. E era tão bacana ver meus alunos lendo juntos, apontando ilustrações, discutindo temas (e às vezes até brigando por um livro determinado)! Era uma realização total.
Acho que não me dei conta que essas leituras são importantes em qualquer contexto, não só na sala de aula. Além de estar expondo nossas crianças a tipos de texto diferentes, estaremos também despertando o gosto por leituras diferentes. E importantes! Não estamos lidando com textos informativos diariamente? A Alma diz no texto dela que "se um livro informativo é diferente de um livro narrativo, certamente exigirá formas de leitura diferentes". Acho que podemos introduzir essas formas de leitura de uma maneira prazerosa, agradável. Que maneira melhor do que lendo juntos?
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Começando pelo Começo
Estou empenhadíssima nos estudos e comecei por um livrinho da Ana Maria Machado chamado Como e Por Que Ler os Clássicos Universais Desde Cedo. O livro faz parte de uma coleção chamada Como e Por Que Ler, da editora Objetiva. A Ana Maria Machado conta logo no primeiro capítulo de quando era bem pequena e seu pai lhe contou a história de Dom Quixote. Foi diferente de ler para ela, já que a linguagem do original de Cervantes é sofisticada e certamente fora do alcance de compreensão de uma criança pequena (e certamente até de uma criança grande).
Ontem à tarde passei os olhos pelas estantes de livros e vi que o Pedro tinha uma adaptação para crianças do D. Quixote. Resolvi começar por ele mesmo! Depois do almoço, nos sentamos no chão, Luísa e eu, bem embaixo do ventilador de teto. Começamos pela apresentação que não era de outra senão da própria Ana Maria Machado. Foi uma surpresa para mim. Aproveitei para contar prá Luísa que eu estava lendo um livro daquela autora e que ela mesma também já conhecia a Ana Maria porque recentemente leu Bem do Seu Tamanho. É muito legal observar as conexões que as crianças fazem quando reconhecem o nome de um autor e percebem que eles são 'criadores'. Tenho certeza que da próxima vez que a Luísa for a uma livraria e enxergar um livro da Ana Maria Machado, vai se lembrar do D. Quixote e do Bem do Seu Tamanho.
Bem, começamos a nos aventurar pela história do fidalgo Dom Quixote e de como ele resolveu se tornar cavaleiro andante e sair pelo mundo em busca de aventuras. Li um capítulo só porque a cada quanto parávamos para comentar alguma palavra diferente ou alguma coisa engraçada que aparecia pelo texto. Assim ficamos durante uma meia hora que para mim era uma boa quantidade de tempo para começar já que a história é tão complexa. Deixei o livro em cima da cabeceira e fui fazer outras coisas achando que a Luísa ia sair pela janela para brincar no jardim. Mas mal virei as costas e a mocinha catou o livro para continuar lendo sozinha. Não aguentou de curiosidade e leu mais um capítulo todinho. À noite, enquanto jantávamos, ela perguntou:
-Mas o Dom Quixote era louco mesmo? Ou era cavaleiro de verdade?
Lembrei-me do livro do Sítio do Picapau Amarelo em que D. Benta conta às crianças a história de D. Quixote, respondendo de tanto em tanto às perguntas dos netos e de Emília. Resolvi responder com as palavras da D. Benta e fui ao escritório atrás do livro antigo, de capa dura verde escura. Encontrei o trecho onde D. Benta explicava porque D. Quixote tinha ficado louco, mas quem disse que a Luísa se contentou com isso? No momento em que ela percebeu as diferenças entre as duas adaptações para crianças, me fez ler o primeiro capítulo da versão do Monteiro Lobato. O tempo inteiro a Luísa ia me interrompendo e dizendo:
-Mas no outro livro eles não explicam assim, explicam assado.
Adorei ouvir as comparações que ela fazia e perceber que ela realmente estava entendendo a história e todos os seus detalhes. Também já vi que vou ter que ler os dois livros ao mesmo tempo porque a Luísa não vai se satisfazer com uma versão só. Realmente a Ana Maria Machado tinha razão quando disse que "Dom Quixote não se esgota em uma só leitura nem uma só adaptação. Sempre deixa o leitor com gosto de quero-mais".
Em tempo: essa também é a minha primeira vez lendo Dom Quixote. Estamos só no começo, mas já estou me coçando para comprar o original em espanhol...
Ontem à tarde passei os olhos pelas estantes de livros e vi que o Pedro tinha uma adaptação para crianças do D. Quixote. Resolvi começar por ele mesmo! Depois do almoço, nos sentamos no chão, Luísa e eu, bem embaixo do ventilador de teto. Começamos pela apresentação que não era de outra senão da própria Ana Maria Machado. Foi uma surpresa para mim. Aproveitei para contar prá Luísa que eu estava lendo um livro daquela autora e que ela mesma também já conhecia a Ana Maria porque recentemente leu Bem do Seu Tamanho. É muito legal observar as conexões que as crianças fazem quando reconhecem o nome de um autor e percebem que eles são 'criadores'. Tenho certeza que da próxima vez que a Luísa for a uma livraria e enxergar um livro da Ana Maria Machado, vai se lembrar do D. Quixote e do Bem do Seu Tamanho.
Bem, começamos a nos aventurar pela história do fidalgo Dom Quixote e de como ele resolveu se tornar cavaleiro andante e sair pelo mundo em busca de aventuras. Li um capítulo só porque a cada quanto parávamos para comentar alguma palavra diferente ou alguma coisa engraçada que aparecia pelo texto. Assim ficamos durante uma meia hora que para mim era uma boa quantidade de tempo para começar já que a história é tão complexa. Deixei o livro em cima da cabeceira e fui fazer outras coisas achando que a Luísa ia sair pela janela para brincar no jardim. Mas mal virei as costas e a mocinha catou o livro para continuar lendo sozinha. Não aguentou de curiosidade e leu mais um capítulo todinho. À noite, enquanto jantávamos, ela perguntou:
-Mas o Dom Quixote era louco mesmo? Ou era cavaleiro de verdade?
Lembrei-me do livro do Sítio do Picapau Amarelo em que D. Benta conta às crianças a história de D. Quixote, respondendo de tanto em tanto às perguntas dos netos e de Emília. Resolvi responder com as palavras da D. Benta e fui ao escritório atrás do livro antigo, de capa dura verde escura. Encontrei o trecho onde D. Benta explicava porque D. Quixote tinha ficado louco, mas quem disse que a Luísa se contentou com isso? No momento em que ela percebeu as diferenças entre as duas adaptações para crianças, me fez ler o primeiro capítulo da versão do Monteiro Lobato. O tempo inteiro a Luísa ia me interrompendo e dizendo:
-Mas no outro livro eles não explicam assim, explicam assado.
Adorei ouvir as comparações que ela fazia e perceber que ela realmente estava entendendo a história e todos os seus detalhes. Também já vi que vou ter que ler os dois livros ao mesmo tempo porque a Luísa não vai se satisfazer com uma versão só. Realmente a Ana Maria Machado tinha razão quando disse que "Dom Quixote não se esgota em uma só leitura nem uma só adaptação. Sempre deixa o leitor com gosto de quero-mais".
Em tempo: essa também é a minha primeira vez lendo Dom Quixote. Estamos só no começo, mas já estou me coçando para comprar o original em espanhol...
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