A leitura de hoje foi bem bacana. Resolvemos escolher uma história curtinha porque a Luísa estava mais a fim de continuar escutando poesias no ipod. Minha filha intelectual high-tech... Fiquei feliz em ver que ela tinha trocado o Manu Chao pelo Shel Silverstein. Adoro o Manu Chao, mas gostei de ver que ela gostou tanto da nossa "leitura" de ontem que hoje foi procurar as poesias por conta própria.
Mas então, voltando à escolha do livro...
Eu sugeri o Felpo Filva, da Eva Furnari, que é uma história linda e romântica. Ela não se interessou. Olhou pela prateleira e achou o Cocô de Passarinho. De quem? Da Eva Furnari também! Coincidência pura. Quando nos sentamos, comecei a ler o título e dizer quem era o autor. Sempre faço isso: leio o titulo e os nomes do autor e ilustrador. Acho legal as crianças conhecerem os nomes dos criadores das obras que elas gostam. Assim podem procurar mais livros de autores com os quais se identifiquem. Além do mais, elas adoram quando reconhecem o nome do autor e/ou ilustrador. E foi bem isso o que aconteceu hoje. Quando eu disse:
- Autor: Eva Furnari
A Lulu respondeu:
-Ah! Eu conheço!
-É a autora do Você Troca?
-E também do Não Confunda...
(aparte: obrigada, Karina, por apresentar a Eva para a Luísa)
A partir daí a interação com o texto já foi diferente. A história a gente já conhecia, já tinha lido antes e por isso começamos a prestar mais atenção noutras coisas. Parávamos a cada página para comentar as ilustrações e numa dessas saiu o comentário da Luísa:
-Esses desenhos parecem uma pintura do Salvador Dalí.
Eu nem sabia que minha filha conhecia o Dali... E o pior é que ela tinha razão. Eu estava pelejando para lembrar onde tinha visto aqueles traços antes. Picasso? Miró? Não. Era Dalí mesmo. A partir daí seguimos lendo e comentando, rindo e analisando cada página, cada detalhezinho. Foi uma leitura curtinha, mas rica, rica.
Quando acabamos corri no escritório para procurar o Não Confunda, o Você Troca, o Assim Assado e o Travadinhas. Joguei o Felpo Filva no balaio Eva Furnari. E ofereci todos prá Lulu ler sozinha. Acho que ela não teria tomado essa iniciativa - de vez em quando a gente tem que dar uma insistida prá que eles leiam sozinhos também. Não forcei, só sugeri. Sorte minha (e dela) que a sugestão foi aceita. E agora ela está lá, dando risada perdida nos livros.
Ah! Acabei de me lembrar! Na escola eles estão lendo Os Problemas da Família Gorgonzola - Eva Furnari na cabeça. Vou lá correndo contar prá Luísa.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Todo tipo de leitura vale a pena
Hoje o programa de leitura foi demais. Aliás, não foi leitura, foi "escutura". Acho que de vez em quando eu gosto de ser audiência e hoje dei um jeito de virar ouvinte com a Luísa em vez de ler para ela. Estava dando uma olhada nas músicas que estão armazenadas no meu computador e dei de cara com um disco de poesias do livro Where the Sidewalk Ends, narradas pelo próprio Shel Silverstein que é o autor.
A Luísa já conhecia várias delas porque a professora do ano passado lia muita poesia para os alunos e um dos poetas preferidos da criançada é o próprio. Ficamos um tempão enroscadas na cama, ouvindo a voz deliciosa do Shel S. Era muito bacana cada vez que ela reconhecia uma poesia. Dizia, "Ah, essa eu conheço" e pedia para ouvir de novo. Forte isso.
Volto a repetir que os professores de sala tem um poder tremendo na formação de leitores. Já faz quase um ano que a Lulu saiu da sala da "Ms. Hansen", mas ela continua lembrando e demonstrando preferencia por aquelas poesias que ela ouviu antes. Se todos os professores do mundo tirassem dez ou quinze minutos por dia para LER para seus alunos, só pelo simples prazer de ler, o mundo inteiro seria muito mais apaixonado pela leitura.
Confesso que não sou muito leitora de poesia. Não é que eu não goste, pelo contrário! Amo poesia. Mas não é a minha escolha natural, não é o gênero literário que eu procuro geralmente. Por isso eu talvez não seja muito boa "leitora" de poesia quando leio em voz alta. Acho importante, no entanto, apresentar váaaaarios gêneros e estilos diferentes para as crianças e creio que encontrei uma forma legal de dar uma incrementada nas nossas leituras compartilhadas. Ninguém melhor para ler os poemas do Shel Silverstein do que o próprio Shel. Não quero dizer com isso que só vamos ler poesia quando eu achar um autor que tenha gravado suas próprias obras. De jeito nenhum, não é isso! Mas uma novidade de vez em quando é sempre bom.
E aqui vai uma bem linda, em inglês porque não me atrevo a traduzir, para todos desfrutarem.
No Difference
Small as a peanut,
Big as a giant,
We're all the same size
When we turn off the light.
Rich as a sultan,
Poor as a mite,
We're all worth the same
When we turn off the light.
Red, black or orange,
Yellow or white,
We all look the same
When we turn off the light.
So maybe the way
To make everything right
Is for God to just reach out
And turn off the light!
By Shel Silverstein
A Luísa já conhecia várias delas porque a professora do ano passado lia muita poesia para os alunos e um dos poetas preferidos da criançada é o próprio. Ficamos um tempão enroscadas na cama, ouvindo a voz deliciosa do Shel S. Era muito bacana cada vez que ela reconhecia uma poesia. Dizia, "Ah, essa eu conheço" e pedia para ouvir de novo. Forte isso.
Volto a repetir que os professores de sala tem um poder tremendo na formação de leitores. Já faz quase um ano que a Lulu saiu da sala da "Ms. Hansen", mas ela continua lembrando e demonstrando preferencia por aquelas poesias que ela ouviu antes. Se todos os professores do mundo tirassem dez ou quinze minutos por dia para LER para seus alunos, só pelo simples prazer de ler, o mundo inteiro seria muito mais apaixonado pela leitura.
Confesso que não sou muito leitora de poesia. Não é que eu não goste, pelo contrário! Amo poesia. Mas não é a minha escolha natural, não é o gênero literário que eu procuro geralmente. Por isso eu talvez não seja muito boa "leitora" de poesia quando leio em voz alta. Acho importante, no entanto, apresentar váaaaarios gêneros e estilos diferentes para as crianças e creio que encontrei uma forma legal de dar uma incrementada nas nossas leituras compartilhadas. Ninguém melhor para ler os poemas do Shel Silverstein do que o próprio Shel. Não quero dizer com isso que só vamos ler poesia quando eu achar um autor que tenha gravado suas próprias obras. De jeito nenhum, não é isso! Mas uma novidade de vez em quando é sempre bom.
E aqui vai uma bem linda, em inglês porque não me atrevo a traduzir, para todos desfrutarem.
No Difference
Small as a peanut,
Big as a giant,
We're all the same size
When we turn off the light.
Rich as a sultan,
Poor as a mite,
We're all worth the same
When we turn off the light.
Red, black or orange,
Yellow or white,
We all look the same
When we turn off the light.
So maybe the way
To make everything right
Is for God to just reach out
And turn off the light!
By Shel Silverstein
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Mais uma de dragões
Estamos num enrosco só com esse livro que começamos a ler na semana passada. Corremos, corremos, corremos para ler o máximo antes de ir ao cinema e agora parece que estamos indo o mais devagar possível para a história não terminar. Falta pouquinho, de hoje não passa.
Acabei não indo ao cinema com a Lulu. Ela queria ver o filme em 3D e eu não consigo, passo mal, então ela foi com o Felipe. Fiquei em casa, sentindo uma ansiedadezinha. E se ela não se interessasse em ler o resto do livro por causa do filme? Mas me enganei! Ela voltou encantada com as aventuras do Soluço e seus companheiros vikings, mas disse que o filme era muuuuito diferente do livro: nem melhor, nem pior, só diferente. Mas igualmente divertido. Era tarde quando eles voltaram, já tinha passado da hora da cama. Então ela vestiu o pijama, escovou os dentes e pediu o quê?
"Mãe, você lê mais um pouquinho do livro antes d'eu dormir?"
Glória total.
Acabei não indo ao cinema com a Lulu. Ela queria ver o filme em 3D e eu não consigo, passo mal, então ela foi com o Felipe. Fiquei em casa, sentindo uma ansiedadezinha. E se ela não se interessasse em ler o resto do livro por causa do filme? Mas me enganei! Ela voltou encantada com as aventuras do Soluço e seus companheiros vikings, mas disse que o filme era muuuuito diferente do livro: nem melhor, nem pior, só diferente. Mas igualmente divertido. Era tarde quando eles voltaram, já tinha passado da hora da cama. Então ela vestiu o pijama, escovou os dentes e pediu o quê?
"Mãe, você lê mais um pouquinho do livro antes d'eu dormir?"
Glória total.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Entre Flores e Dragões
Aaaah... A amiga está aqui em casa de novo. Hoje é feriado e elas vão passar o dia juntas por isso já sei que não vou ter vez. Mas não tem problema! Porque ontem nem televisão nem computador foram ligados. Passamos a tarde in-tei-ri-nha envolvidas numa leitura divertidíssima.
Queríamos terminar a Flor do Cerrado - falta tão pouquinho! - mas não resistimos e... começamos a ler outro livro! Só porque tem um filme novo passando nos cinemas que a Lulu e eu estamos louquinhas para assistir. Chama-se Como Treinar Seu Dragão e, como já era de se esperar, foi baseado num livro da Cressida Cowell. Os livros dela são divertidíssimos e por sorte tínhamos o primeiro deles aqui. How to Train Your Dragon é um livro que eu comprei para o Pedro há um tempão e agora a Luísa vai poder desfrutar dele também.
Aconteceu um monte de coisas que nos levaram a ler esse livro juntas. Ela chegou da escola há dois dias contando que as amigas tinham assistido um filme muuuuito legal e que ela também queria ir assisti-lo. Quando ela abriu o saquinho da revista Recreio que tinha chegado aqui em casa na segunda-feira de manhã, percebeu que tinha ganhado um presentinho junto com a revista: um álbum de figurinhas do filme. Ela foi seca ler o que o álbum contava sobre a história. E eu, mais que rapidamente fui procurar o livro na estante. Abençoada biblioteca de casa. E sorte dela ter um irmão mais velho que adora ler.
Fiquei mostrando a capa e as ilustrações para ela, mas percebi que o texto ainda estava um pouco difícil para ela ler sozinha. Não queria que ela perdesse o entusiasmo de descobrir mais a respeito da história então não tive dúvida. Propus que o lêssemos juntas. E foi maravilhoso! A história é divertida mesmo, muito bem-humorada e, melhor de tudo, muito bem escrita. O vocabulário é rico e há muitas palavras novas para a Luísa. Eu não fico parando toda hora para explicar vocabulário, mas de tanto em tanto ela me pergunta "o que é tal coisa?" Glória aos deuses inspiradores de autores para crianças que acreditam em usar palavras grandes e complicadas. Ontem o grande assunto foi a palavra "exílio", para onde os meninos-vikings que não conseguissem roubar seu dragão seriam mandados porque afinal de contas... "não existem falhas entre os cabeludos da tribo Hooligan. Só os fortes fazem parte". Já vi que a conversa sobre o livro vai longe...
Sei que não vamos conseguir terminar de ler o livro antes de ir assistir o filme, mas não tem problema. Ela já percebeu, por causa do álbum e das sessenta páginas que lemos ontem, que existem várias diferenças e já começou a comparar. Acho que assistir ao filme vai servir de incentivo para ela querer terminar de ler o livro. Eu, com certeza, vou querer!
P.S. Tenho que confessar que quase peguei o livro para ler mais antes de dormir ontem. Adoro histórias de dragões!
Site da Cressida Cowell
http://www.cressidacowell.co.uk/
Queríamos terminar a Flor do Cerrado - falta tão pouquinho! - mas não resistimos e... começamos a ler outro livro! Só porque tem um filme novo passando nos cinemas que a Lulu e eu estamos louquinhas para assistir. Chama-se Como Treinar Seu Dragão e, como já era de se esperar, foi baseado num livro da Cressida Cowell. Os livros dela são divertidíssimos e por sorte tínhamos o primeiro deles aqui. How to Train Your Dragon é um livro que eu comprei para o Pedro há um tempão e agora a Luísa vai poder desfrutar dele também.
Aconteceu um monte de coisas que nos levaram a ler esse livro juntas. Ela chegou da escola há dois dias contando que as amigas tinham assistido um filme muuuuito legal e que ela também queria ir assisti-lo. Quando ela abriu o saquinho da revista Recreio que tinha chegado aqui em casa na segunda-feira de manhã, percebeu que tinha ganhado um presentinho junto com a revista: um álbum de figurinhas do filme. Ela foi seca ler o que o álbum contava sobre a história. E eu, mais que rapidamente fui procurar o livro na estante. Abençoada biblioteca de casa. E sorte dela ter um irmão mais velho que adora ler.
Fiquei mostrando a capa e as ilustrações para ela, mas percebi que o texto ainda estava um pouco difícil para ela ler sozinha. Não queria que ela perdesse o entusiasmo de descobrir mais a respeito da história então não tive dúvida. Propus que o lêssemos juntas. E foi maravilhoso! A história é divertida mesmo, muito bem-humorada e, melhor de tudo, muito bem escrita. O vocabulário é rico e há muitas palavras novas para a Luísa. Eu não fico parando toda hora para explicar vocabulário, mas de tanto em tanto ela me pergunta "o que é tal coisa?" Glória aos deuses inspiradores de autores para crianças que acreditam em usar palavras grandes e complicadas. Ontem o grande assunto foi a palavra "exílio", para onde os meninos-vikings que não conseguissem roubar seu dragão seriam mandados porque afinal de contas... "não existem falhas entre os cabeludos da tribo Hooligan. Só os fortes fazem parte". Já vi que a conversa sobre o livro vai longe...
Sei que não vamos conseguir terminar de ler o livro antes de ir assistir o filme, mas não tem problema. Ela já percebeu, por causa do álbum e das sessenta páginas que lemos ontem, que existem várias diferenças e já começou a comparar. Acho que assistir ao filme vai servir de incentivo para ela querer terminar de ler o livro. Eu, com certeza, vou querer!
P.S. Tenho que confessar que quase peguei o livro para ler mais antes de dormir ontem. Adoro histórias de dragões!
Site da Cressida Cowell
http://www.cressidacowell.co.uk/
quarta-feira, 31 de março de 2010
Caça ao tesouro
Não sabia bem o que eu queria escrever hoje, nem se queria escrever, mas descobri a resposta nos livros. A Lulu e eu estamos quase acabando A Flor do Cerrado por isso ontem comecei a procurar nas prateleiras algumas opções para começar a ler com ela em seguida. A Luísa me viu sentada no chão do escritório, olhando livro por livro, e rapidamente se sentou também. Começou a sugerir um ou outro título que ela conhecia e gostava e ouviu com atenção o que eu dizia sobre títulos que ela ainda não conhecia.
Esse processo de seleção conjunta foi tão legal! Sem querer fui trabalhando com ela a antecipação pela leitura (tá certa essa concordância?) Ficamos um tempão rememorando histórias conhecidas, rindo juntas e escolhendo o que deveríamos levar para o quarto dela para colocar na estante pequena que fica ao lado da cama. Todo o processo foi trazendo à tona curiosidades e questionamentos em relação às histórias. Nos perguntávamos se determinado livro era bom mesmo, se era apropriado para a idade dela, se era de riso ou de aventura, se combinava de verdade com o gosto dela. A gente não se dá conta de como isso é importante às vezes: mostrar para esses pequenos leitores o quanto eles já sabem a respeito dos livros e como é interessante essa aventura de buscar uma nova leitura.
Sinto que visitar uma livraria ou biblioteca têm efeito muito semelhante. É uma delícia percorrer corredores cheios de estantes e possibilidades. A única diferença é que todos (ou quase todos) os livros daqui de casa eu conheço bem. Numa biblioteca ou livraria as opções parecem ser infinitas e a escolha é quase uma caça ao tesouro: qual será o livro que mais me satisfará? É interessante também observar que o livro que escolhemos hoje, talvez não seja o livro que escolheremos na semana que vem. Gostos e vontades mudam dia a dia. É bom poder prestar atenção nessas vontades. Acho que por isso é tão importante dar aos alunos: primeiro, momentos diários de leitura livre e segundo, o poder de escolher entre gêneros e estilos. Mas falo (escrevo?) mais sobre isso outro dia.
Acabamos levando para o quarto uns dez livros diferentes e ainda não sabemos qual será o próximo a ser lido porque assim é mais gostoso.
Esse processo de seleção conjunta foi tão legal! Sem querer fui trabalhando com ela a antecipação pela leitura (tá certa essa concordância?) Ficamos um tempão rememorando histórias conhecidas, rindo juntas e escolhendo o que deveríamos levar para o quarto dela para colocar na estante pequena que fica ao lado da cama. Todo o processo foi trazendo à tona curiosidades e questionamentos em relação às histórias. Nos perguntávamos se determinado livro era bom mesmo, se era apropriado para a idade dela, se era de riso ou de aventura, se combinava de verdade com o gosto dela. A gente não se dá conta de como isso é importante às vezes: mostrar para esses pequenos leitores o quanto eles já sabem a respeito dos livros e como é interessante essa aventura de buscar uma nova leitura.
Sinto que visitar uma livraria ou biblioteca têm efeito muito semelhante. É uma delícia percorrer corredores cheios de estantes e possibilidades. A única diferença é que todos (ou quase todos) os livros daqui de casa eu conheço bem. Numa biblioteca ou livraria as opções parecem ser infinitas e a escolha é quase uma caça ao tesouro: qual será o livro que mais me satisfará? É interessante também observar que o livro que escolhemos hoje, talvez não seja o livro que escolheremos na semana que vem. Gostos e vontades mudam dia a dia. É bom poder prestar atenção nessas vontades. Acho que por isso é tão importante dar aos alunos: primeiro, momentos diários de leitura livre e segundo, o poder de escolher entre gêneros e estilos. Mas falo (escrevo?) mais sobre isso outro dia.
Acabamos levando para o quarto uns dez livros diferentes e ainda não sabemos qual será o próximo a ser lido porque assim é mais gostoso.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Preconceito
Ontem não teve leitura - teve amiga que passou a tarde em casa. E à noite o Papai estava por aqui para ler mais Asterix. Que por sinal eles já leram mais de uma vez, ou talvez até mais de duas.
Mas na noite anterior a Lulu escolheu uma historinha linda pra gente ler antes dela ir dormir. Assim como o Asterix, a gente já tinha lido esse livro juntas mais de uma vez, mas existe algo sobre a familiaridade com uma história que faz com que a gente desfrute do mesmo livro em diversas releituras. Pelo menos comigo é assim. Tem livro que eu já li cinco ou seis vezes e apesar dos vários títulos ainda inexplorados nas minhas estantes, tem dia que eu estou com vontade de ler "aquilo". E é uma delícia ter aquilo que eu quero bem ali ao meu alcance.
Pois bem, anteontem a Luísa puxou um livro da Claudia Fries chamado Um Porco Vem Morar Aqui! (A Pig is Moving In) É a historia de um porquinho que se muda para um edificio e seus vizinhos não vem a sua mudança com bons olhos. Eles acham que o porco é muito sujo e desordeiro quando na verdade ele é todo o contrário. Logo de cara eu comentei:
-Que preconceito...
E ao longo da história essa foi a palavra que a Luísa mais repetiu, preconceito, preconceito, preconceito. Para tudo que os outros bichos-vizinhos faziam ou diziam ela comentava:
-Que preconceito...
Achei engraçado essa apropriação de uma palavra que ela com certeza já conhecia, mas nunca tinha realmente 'usado'. A repetição parecia um ensaio, uma tentativa de usar a palavra, o conceito, da maneira correta, no lugar certo.
Quando eu dava aula para crianças que estavam aprendendo inglês, era fácil reconhecer o momento em que elas 'aprendiam' realmente um novo vocábulo, uma nova frase. De repente aquela frase aparecia em tudo quanto era lugar! Assim como é quando crianças são pequenas e estão aprendendo novas palavras todo dia. A repetição é a prática, o 'treino', e a aplicação ao mesmo tempo.
Mas mais bonitinho de tudo foi a conclusão da história. Quando terminamos de ler, fui para o meu quarto e a Luísa foi deitar. Dali a alguns minutos ela entrou no meu quarto e disse:
- Acho que a gente é que não deveria ir morar naquele edifício dos bichos porque a gente é muito baguncento!
Acho que ela conseguiu mesmo fazer uma relação com a história...
Mas na noite anterior a Lulu escolheu uma historinha linda pra gente ler antes dela ir dormir. Assim como o Asterix, a gente já tinha lido esse livro juntas mais de uma vez, mas existe algo sobre a familiaridade com uma história que faz com que a gente desfrute do mesmo livro em diversas releituras. Pelo menos comigo é assim. Tem livro que eu já li cinco ou seis vezes e apesar dos vários títulos ainda inexplorados nas minhas estantes, tem dia que eu estou com vontade de ler "aquilo". E é uma delícia ter aquilo que eu quero bem ali ao meu alcance.
Pois bem, anteontem a Luísa puxou um livro da Claudia Fries chamado Um Porco Vem Morar Aqui! (A Pig is Moving In) É a historia de um porquinho que se muda para um edificio e seus vizinhos não vem a sua mudança com bons olhos. Eles acham que o porco é muito sujo e desordeiro quando na verdade ele é todo o contrário. Logo de cara eu comentei:
-Que preconceito...
E ao longo da história essa foi a palavra que a Luísa mais repetiu, preconceito, preconceito, preconceito. Para tudo que os outros bichos-vizinhos faziam ou diziam ela comentava:
-Que preconceito...
Achei engraçado essa apropriação de uma palavra que ela com certeza já conhecia, mas nunca tinha realmente 'usado'. A repetição parecia um ensaio, uma tentativa de usar a palavra, o conceito, da maneira correta, no lugar certo.
Quando eu dava aula para crianças que estavam aprendendo inglês, era fácil reconhecer o momento em que elas 'aprendiam' realmente um novo vocábulo, uma nova frase. De repente aquela frase aparecia em tudo quanto era lugar! Assim como é quando crianças são pequenas e estão aprendendo novas palavras todo dia. A repetição é a prática, o 'treino', e a aplicação ao mesmo tempo.
Mas mais bonitinho de tudo foi a conclusão da história. Quando terminamos de ler, fui para o meu quarto e a Luísa foi deitar. Dali a alguns minutos ela entrou no meu quarto e disse:
- Acho que a gente é que não deveria ir morar naquele edifício dos bichos porque a gente é muito baguncento!
Acho que ela conseguiu mesmo fazer uma relação com a história...
quinta-feira, 25 de março de 2010
Navegando em histórias
Ontem foi um dia cheio de momentos literários. Fomos devolver os livros na biblioteca ao mesmo tempo que a Tânia Piacentini, fundadora da Barca dos Livros, me ligava para convidar para uma saída da barca. Foi um convite inesperado, mas apesar do tempo chuvoso resolvemos aceitar.
Quando entramos na biblioteca a Luísa deu de cara com uma amiga da escola. Eu tinha planejado escolher uns livros gostosos para ler para a Lulu lá mesmo, mas quando ela encontrou com a amiga, tive que mudar meus planos. Fiquei só na vontade de ler prá ela, mas tudo bem. Foi muito gostoso observar, de longe, as duas compartilhando livros. Primeiro tentaram um da série da Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, porque é o livro que a professora está lendo para elas na sala de aula. Não canso de me impressionar com o poder que a leitura em sala de aula tem. Parece que professor é um deus e que qualquer coisa que mostra para os alunos, com entusiasmo, vira objeto sagrado. Eu já tinha lido a Pippi com a Luísa, mas é claro que agora esses livros assumiram outra dimensão.
Depois de trocar para um livro do Ônibus Mágico, da Joanna Cole, porque o livro da Pippi afinal ainda é um pouquinho difícil para leitura independente de uma criança de sete anos, chegou a hora de embarcar. O grupo de tripulantes até que era grande e foi formado às pressas para uma filmagem que um pessoal do Rio de Janeiro estava fazendo. A escola que seria filmada cancelou na última hora por causa da chuva. Foi assim que tivemos a oportunidade de desfrutar do passeio e da contação de histórias.
O espetáculo Frutacontos, do grupo Pé de Histórias, foi lindo! Parados no meio da Lagoa da Conceição, ouvimos a contação de obras fantásticas como O Joelho Juvenal, do Ziraldo, Maneco Caneco Chapéu de Funil do Luís Camargo e o Monstro Peludo, da Henriette Bichonnier. Como sempre, acho que eu desfrutei de tudo ainda mais que as crianças.
Ontem foi minha vez de ouvir. Em vez de ler para a Luísa, tive o prazer de virar a ouvinte. Fiquei pensando em como era gostoso só prestar atenção. Ao mesmo tempo, me deu vontade de procurar os outros livros do Luís Camargo, Panela de Arroz, Bule de Café, para conhecer. Senti na pele que essa empreitada de ler (ou contar histórias) para alguém vale mesmo a pena. Dá uma cosquinha, uma vontadinha de ler mais ainda. Tudo de bom.
P.S. Rolou mais uma historinha antes de dormir porque o Felipe tinha saído para jantar, mas sobre ela eu falo amanhã.
Sociedade Amantes da Leitura - Biblioteca Barca dos Livros
http://www.amantesdaleitura.org/novo/index.php
Quando entramos na biblioteca a Luísa deu de cara com uma amiga da escola. Eu tinha planejado escolher uns livros gostosos para ler para a Lulu lá mesmo, mas quando ela encontrou com a amiga, tive que mudar meus planos. Fiquei só na vontade de ler prá ela, mas tudo bem. Foi muito gostoso observar, de longe, as duas compartilhando livros. Primeiro tentaram um da série da Pippi Meialonga, de Astrid Lindgren, porque é o livro que a professora está lendo para elas na sala de aula. Não canso de me impressionar com o poder que a leitura em sala de aula tem. Parece que professor é um deus e que qualquer coisa que mostra para os alunos, com entusiasmo, vira objeto sagrado. Eu já tinha lido a Pippi com a Luísa, mas é claro que agora esses livros assumiram outra dimensão.
Depois de trocar para um livro do Ônibus Mágico, da Joanna Cole, porque o livro da Pippi afinal ainda é um pouquinho difícil para leitura independente de uma criança de sete anos, chegou a hora de embarcar. O grupo de tripulantes até que era grande e foi formado às pressas para uma filmagem que um pessoal do Rio de Janeiro estava fazendo. A escola que seria filmada cancelou na última hora por causa da chuva. Foi assim que tivemos a oportunidade de desfrutar do passeio e da contação de histórias.
O espetáculo Frutacontos, do grupo Pé de Histórias, foi lindo! Parados no meio da Lagoa da Conceição, ouvimos a contação de obras fantásticas como O Joelho Juvenal, do Ziraldo, Maneco Caneco Chapéu de Funil do Luís Camargo e o Monstro Peludo, da Henriette Bichonnier. Como sempre, acho que eu desfrutei de tudo ainda mais que as crianças.
Ontem foi minha vez de ouvir. Em vez de ler para a Luísa, tive o prazer de virar a ouvinte. Fiquei pensando em como era gostoso só prestar atenção. Ao mesmo tempo, me deu vontade de procurar os outros livros do Luís Camargo, Panela de Arroz, Bule de Café, para conhecer. Senti na pele que essa empreitada de ler (ou contar histórias) para alguém vale mesmo a pena. Dá uma cosquinha, uma vontadinha de ler mais ainda. Tudo de bom.
P.S. Rolou mais uma historinha antes de dormir porque o Felipe tinha saído para jantar, mas sobre ela eu falo amanhã.
Sociedade Amantes da Leitura - Biblioteca Barca dos Livros
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