sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Acredite na mágica

"And above all, watch with glittering eyes the whole world around you because the greatest secrets are always hidden in the most unlikely places. Those who don't believe in magic will never find it."

 
— Roald Dahl

"Olhe o mundo a seu redor com olhos brilhantes porque os maiores segredos estão sempre escondidos nos lugares menos prováveis. Aqueles que não acreditam em mágica nunca vão encontrá-la".

sábado, 6 de novembro de 2010

Dicas de Germán Machado

Achei num passeio pelos meus blogs favoritos e não resisti.  Resolvi copiar aqui as treze instruções que o autor uruguaio Germán Machado dá para se viver a leitura na companhia de nossas crianças. 

"Desde mi experiencia de lector y escritor; conciente de que uno escribe a medida que aprende a leer; para no terminar esta locución con preguntas; y a riesgo de resultar pedante: propongo ahora trece instrucciones para ayudar a leer al niño que, así lo pienso, pueden ordenar mejor mis ideas sobre el tema. Son estas:
1. No lea al niño que usted dejó atrás: lea con el niño que está junto a usted. Tampoco se adelante al niño en su lectura: conózcale su tranco, acompáñelo y déjelo leer en soledad cuando él así lo quiera.
2. Lea como si usted nunca fuera a dejar de ser un niño, pero sabiendo que ya no lo es. Lea en la actualidad, pero sabiendo que en el futuro estará el pasado y en el pasado también estuvo el porvenir.
3. Lea lo que el niño le pide, pero también lo que el niño le da. Disfrute de ambas cosas, y que ambos disfruten. Y si el niño quiere leerle algo a usted, déjelo hacer, incluso cuando el niño todavía no sabe leer.
4. Lea en el espacio y en el tiempo adecuados. No se desubique. En el caso en que lea con el niño por las noches: nunca se duerma usted antes que él.
5. Al seleccionar la lectura, piense en el niño con el que va a leer, pero no haga caso a las categorías, ni a las clases, ni a las edades, ni a los tamaños. El único que puede ser caprichoso en cuanto a elegir la lectura es el niño, no usted.
6. Lea todo lo que venga, pero también todo lo que se va. Piense que toda lectura es una encrucijada.
7. Lea con el niño sólo cuando está seguro de dos cosas: que no tiene ninguna otra tarea más importante para hacer y que leer con él no representa una tarea para usted. Si no está seguro de eso, igual es mejor que lea con el niño a que no lo haga.
8. Lea con el niño como si fuera la última vez que va a hacerlo, y también como si fuera la primera.
9. Lea con el niño como si usted fuese uno de esos bambúes —conocidos como Cañas de la India— que florece y produce semillas una vez cada 120 años para luego morir. Piense que esos bambúes florecen todos juntos y a la vez, y que alguna de las semillas que lanzan logrará evitar a los depredadores para poder reproducir la especie. Si esto no lo convence, piense que esos bambúes igual se propagan de forma constante, produciendo nuevos brotes a partir de rizomas subterráneos.
10. Lea con el niño como si estuviese ayudando a un ciego a cruzar la calle. La fraternidad, o el amor filial, tienen algo que ver en eso, aunque luego de cruzar la calle, usted seguirá su camino personal y el niño (como el ciego) avanzará por el enigma de sus recónditas distancias.
11. Si cuando está leyendo con el niño éste lo interrumpe, detenga la lectura y preste atención a lo que surge. Piense que no todo lo que van leyendo está escrito en el libro. Las digresiones son propias de una lectura imaginativa. Atrévase a ir más allá de la letra o a volver desde lo escrito a la realidad: piense que la imaginación antecede a la escritura y también la desborda.
12. Piense que el acto de lectura es un modo de comunicación que trasciende lo que un texto dice o ilustra. Si la lectura hace ruido en la comunicación, déjela de lado. Sepa cuando es el momento adecuado para dejar de leer al niño.
13. Si realmente está dispuesto a leer con un niño, hágalo como le dé la gana: no siga ninguna instrucción al respecto. Manténgase en sus trece."

Ele falou tudo isso (e muito mais) numa mesa redonda da qual participou em maio deste ano.  Adorei o blog dele e recomendo a visita.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Frustração ou Felicidade?

Depois de muito enrolar, finalmente propus para o Pedro que lêssemos juntos um livro. Precisava comprovar aquilo que venho pregando – que a leitura compartilhada é muito gostosa e proveitosa. Que essa experiência é válida para qualquer idade e que ler junto estreita os laços.

Ler para e com a Luísa é bem fácil porque ela, apesar de já ter suas preferências literárias, aceita bem nossas recomendações e sugestões. Para ela, a experiência de ler junto ainda está mais ligada ao fato de estar em companhia de um de nós (pais, irmão ou avós) do que ao fato de estarmos compartilhando uma obra literária. Acho que por isso o que ela mais gosta é de fazer essa leitura compartilhada à noite, antes de dormir. Ela é meio medrosa, não gosta nada do escuro, por isso acho que esse momento traz tranquilidade e uma dose extra de segurança para “enfrentar” o momento de adormecer sozinha. O caso é que ela está, certamente, mais interessada na proximidade física do que na apreciação literária em si.

Já o Pedro quer a maior distância física possível de nós! Quer dizer, não é bem assim. Tem dia que ele acorda inspirado e sai distribuindo abraços apertados a torto e a direito. Nesses dias a gente aproveita ao máximo! Mas beijo, por exemplo, ele prefere mesmo é das namoradas. E esse negócio de chamego com pai e mãe está totalmente fora de questão. Ai, que saudade...

Bom, mas fato é que o Pedro é um cara muito bacana e quando expliquei que queria escrever sobre ele no blog ele aceitou que eu lesse um livro para ele. Só para me ajudar. Só para me dar assunto. Interessado na minha leitura ele não estava muito... mas topou mesmo assim. E para fazer a minha parte eu deixei que ele escolhesse o livro que queria. Lá volta ele com nada mais nada menos que as 670 páginas das Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay, de Michael Chabon. Achei lindo porque ele escolheu um livro que eu já tinha recomendado para ele várias vezes e porque ele sabe que é um livro que eu adoro. Achei lindo mesmo... mas até suspirei quando vi. É que esse é um livro com uma linguagem super sofisticada, sentenças bem compridas, vocabulário rebuscado, daqueles beeeem difíceis de ler mesmo. Além disso, o Michael Chabon é mestre em lançar provocações, em costurar o enredo de um jeito que de vez em quando deixa a gente totalmente sem fôlego. Como é que o Pedro iria entrar nessa proposta se eu estivesse lendo para ele? Como é que eu saberia quando parar, onde pausar, para ele poder digerir o que tivesse que ser digerido?  Para ele refletir sobre o que tivesse vontade/necessidade?

Eu nunca tinha pensado em nada disso antes. Nunca tinha pensado que tem livro que simplesmente... não dá para ser lido em voz alta! Aliás, se alguém tivesse me dito isso antes daquela noite eu teria negado convictamente. Sempre tive prá mim que qualquer leitura poderia ser desfrutada a dois. E foi por isso que, apesar de meus temores, me pus a ler para o Pedro.

Já disse que meu filho é um cara muito bacana? Pois então. Ele ouviu minha leitura atentamente – até desligou a tela do computador! – durante três dias seguidos. Eu fiquei na maior ilusão, achei que íamos nos sentar juntinhos na cama dele, mas ele ficou na cadeira mesmo. Apesar disso, me ouviu com o maior cuidado e à cada capítulo me confirmava que estava gostando da história e que queria continuar.

Quem pulou do barco fui eu. Simplesmente fui deixando para depois, para mais tarde, para amanhã e assim os dias foram passando e agora já faz três semanas que não pegamos no livro.

Por que? Simplesmente porque percebi que não estávamos curtindo. Enquanto lia, o Pedro me escutava com a maior atenção, mas não sei se ele estava fazendo aquilo por ele ou por mim. E leitura assim não vale. Mesmo quando é compartilhada tem que ser curtida pelas duas (três, quatro, dez) partes – por todos envolvidos no processo! Por isso abortei o projeto.

Foi bastante frustrante reconhecer que minha investida não deu certo. Eu queria TANTO redescobrir o prazer de ler com o meu filho! Mas (ainda bem que o mas existe...) talvez eu tenha que reconhecer também que esse momento passou. Que temos personalidades leitoras diferentes. Que já somos leitores totalmente independentes?... Não sei. Preciso elaborar melhor isso.

O bom da história é pensar que o Pedro não precisa mais de mim para ler. Apesar da nossa tentativa não ter dado certo, ele lê muito e sempre. De presente, noutro dia, me pediu uma “assinatura” num site de áudio-livros. Recebe um crédito por mês e baixa os livros no computador. Daí pode gravar em cd, passar para o mp3, mp4, sei lá mais o quê. Então – quantos meninos de 15 anos PEDEM livros de presente hoje em dia?

Acho que o importante é isso aí mesmo. Reconhecer a felicidade, mesmo na frustração. Meu filho é um leitor e tanto e tenho certeza que eu contribuí muito para a sua formação leitora. E quem sabe? Talvez com um outro livro possamos retomar o projeto...

domingo, 19 de setembro de 2010

Mensagem de Francesco Tonucci

Amo o Frato e adorei o que ele disse numa palestra que fez em Xixón na Espanha no começo do mês.

“La cultura de la infancia. Escuchar a los niños y a las niñas”
(extrato)

“Yo creo que la escuela tiene que hacerse cargo de todo el conjunto cultural y hacerse cargo de construir con los niños los cimientos antes de los aprendizajes. La lectura es uno de ellos. La propuesta es muy sencilla: hay que leer a los niños. O mejor, hay que leer. Los niños necesitan encontrar adultos que leen. Frecuentemente, maestros me dicen: “¿Cómo leer? Yo no tengo tiempo, no puedo”. Ya sé que es difícil la condición especialmente de las maestras que, además de la clase, tienen la familia. Lo entiendo, lo puedo justifi car, pero sigue siendo imposible para una persona que no necesita leer, enseñar a leer. No funciona. Los niños necesitan encontrar, por primera vez en su vida probablemente, personas que leen y que no pueden resistirse a leer. Y leen literatura, porque leen por placer. Y esto se manifi esta, esto se nota. Invitar a los niños a un mundo de libros, no importa la edad, que sean de ocho meses o que sean de tres años o cinco años, la escuela debe ser lugar donde hay libros, donde se ven libros, se tocan libros, se respetan los libros. No se usan como juguetes, se usan como libros.
Y por fin la propuesta más simple: dedicar un tiempo a la lectura a los niños. La propuesta que yo hago es un tiempo fijo cada día. Puede ser, pongamos, un cuarto de hora, veinte minutos. Si queréis con un despertador, que sea riguroso y que termina. Esto especialmente si queremos hacer una experiencia fundamental que es leer libros, no cuentos. No digo que los cuentos no valgan, se puede hacer un poco, pero lo importante es comprometernos a leer libros por muchos días. Enseguida, retomándolo donde lo dejamos ayer, con los niños que dicen: “No, por favor, que siga…” No, tenemos que parar. Y tenemos que esperar a mañana, porque esperar también forma parte de la cultura de la lectura. Si no lo habéis probado, podéis vivir emociones únicas, porque un grupo de niños escuchando a un adulto que lee (cuidado, que lee bien). Hay que prepararse. No tener la presunción de que, como somos maestros, podemos ponernos frente a un libro no importa cómo. Hay que prepararse. Como hace un actor. Pero la emoción que suscita la lectura vale todo el esfuerzo que nosotros hacemos. Dedicar un tiempo fijo a la lectura”.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Leitura em momentos de crise

Penso que realmente não há como falar em leitura compartilhada sem falar em leitura individual, daquela que a gente se abandona dentro de um livro e some da face da terra.  Ou mesmo da leitura que se faz sozinho, dia a dia, quando se lê um aviso, o jornal, uma placa ou um bilhetinho deixado pelo marido.  A verdade é que ler é um ato absolutamente solitário.  Compartilhar a leitura é fazer uma ponte, mostrar um caminho que um dia o outro vai trilhar sozinho.  Porque no fundo, no fundo, o intuito é que cada um se enxergue leitor e perceba que aquilo pode ser feito só.  Acho que já citei isso antes, mas repito aqui porque vale a pena ser repetido.  A Heloísa Seixas diz que "ler é o encontro de duas solidões" - do leitor e do autor do texto (seja ele qual for).  Hoje eu vinha no carro voltando de viagem e lendo tudo quanto era placa pendurada na beira da estrada.  Enquanto lia pensava: alguém escreveu isso.  Alguém pegou essa madeirinha, a tinta, o pincel e pintou "Paradão do Abacaxi" nessa placa.  Viajei.

Mas nem é disso que eu quero falar.  Hoje a Luísa acordou com uma baita dor de estômago.  Ainda não conseguimos descobrir o que foi que aconteceu, mas ela acordou mesmo bem ruinzinha, com a cara amarela e muito infeliz.  Não queria dar remédio nenhum porque não conseguia definir que dor era aquela por isso depois de tentar sem sucesso as soluções mais óbvias: mandar ir ao banheiro, fazer massagem na barriga e botar no colo, ela resolveu ir se deitar de novo.

Durante o café da manhã o Felipe e eu decidimos que deveríamos cancelar os planos de passeio para levá-la ao pronto-socorro, afinal a coisa parecia séria.  Assim que terminei de comer fui dar uma espiadela para ver se ela tinha dormido de novo.  Que nada.  Cheguei bem quietinha na porta e só consegui ver a cabecinha levantada prá fora da coberta, a mocinha de bruços, apoiada nos cotovelos... lendo.  Estava tão longe que nem ouviu da primeira vez que eu perguntei se tinha melhorado da dor de barriga.  Da segunda vez ela me olhou e respondeu:
-Já melhorou...  tá bem fraquinha, mas acho que daqui a pouco já vai passar.
Que coisa...  Ela leu a dor prá longe.  E continuou lendo até que a dor desapareceu.

É claro que essa historinha (real!) tem a ver com as leituras que ando fazendo.  Parece que tudo aqui em casa sempre acontece a propósito dessas leituras.  Sincronicidade?  O livro do momento se chama "A Arte de Ler ou Como Resistir à Adversidade" escrito pela antropóloga francesa Michele Petit.  Vou copiar aqui um pedacinho do texto da orelha do livro para explicar o trabalho fantástico que ela fez.

"... Partindo de experiências colhidas pessoalmente ou por meio do diálogo constante com leitores, meidadores de leitura, bibliotecários, professores, psicanalistas, escritores e animadores culturais de várias partes do mundo - mas sobretudo da América Latina - , Michèle Petit apresenta aqui diversas experiências de leitura compartilhada desenvolvidas em regiões afetadas por conflitos armados, desequilíbrio social, migrações populacionais forçadas ou acentuada deterioração das condições de vida."

Não canso de me surpreender com o poder da leitura, principalmente da leitura literária.  Li em algum lugar (e agora não me lembro onde de jeito nenhum) que "o leitor é um caçador que percorre terras alheias."  Nessas terras nos curamos, nos resolvemos, sobrevivemos.  Em maior ou menor grau, na leitura nos refazemos.  Primeiro acompanhados por alguém que nos empresta seus olhos, sua voz e seus saberes de leitor até que nós mesmos, sozinhos, somos capazes de espantar nossas dores prá bem longe.  Só com um livro.

E viva o google: o autor da frase ali de cima é o sr. Michel de Certeau, de quem eu nunca tinha ouvido falar antes na vida.  Agora vou ter que ler sobre ele na wikipedia.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Releituras

Sei bem que o leitor favorito da Luísa é o Felipe e já estou bem conformada com isso.  Eu sinto só uma pontinha de ciúmes, mas fico bem feliz de saber que eles tem essa conexão tão especial.  Só tenho oportunidade de ler com a Lulu mesmo quando o Felipe não está em casa na hora dela ir para a cama - por isso o livro do Pinóquio está durando tanto.  Ah, sim, porque minha  filha escolhe um livro diferente para cada leitor.  Com o Felipe ela estava lendo Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato e comigo o Pinóquio, do Carlo Collodi.  Cada qual com o seu livro, não vamos misturar as coisas!

No fim de semana vi os dois procurando um dos livros da série do Lobinho, do Ian Whybrow, com tradução do Carlos Sussekind.  Daí perguntei porque eles iam ler aquele livro de novo se já tinham lido ele antes.  Os dois me olharam com a cara mais desentendida do mundo e me explicaram, como se fosse óbvio, que já fazia muuuuuito tempo que tinham lido aqueles livros.  Queriam ler de novo, oras.



Como é que eu pude ser tão obtusa?  Eu mesma vivo justificando a existência de tantos livros em casa assim: não sei nunca quando vou ter vontade de reler este ou aquele título.  Tenho que ter todos os meus favoritos à mão para qualquer emergência!  A razão para a escolha da Luísa era realmente óbvia: as histórias do Lobinho são divertidíssimas!  Dá prá ler muitas e muitas vezes e desfrutar sempre.

Quando eu estava dando aula eu amava os momentos em que me sentava no chão para ler para meus alunos.  Pelo menos uma vez ao dia nos reuníamos para desfrutar juntos de uma história qualquer.  Geralmente escolhia para ler para eles um livro em capítulos, que era para ficar mais emocionante!  Mas o interessante era que entrava ano, saía ano e eu acabava lendo sempre os mesmos livros para as turmas.  As aventuras da Pippi Meialonga, da Astrid Lindgren eram um grande sucesso, assim como os livros do Roald Dahl.  As Histórias de Dragão da Ruth Stiles Gannett costumavam ser uma surpresa emocionante e era sempre o primeiro.  Em tantos anos de sala de aula, nunca me cansei de ler e reler os mesmos livros.

Não foi Jorge Luis Borges quem disse que preferia reler do que ler?

Ontem à noite o Felipe não estava aqui para colocar a molecada na cama, mas eu não li para a Luísa.  Quando entrei no quarto dei com ela absorta na leitura do livro do Lobinho (nem sei qual deles).  Ela estava em pé, ao lado da cama, tão entretida que tinha se esquecido de se deitar.  Em silêncio, puxei o edredon.  Perguntei se ela não queria entrar na cama, ela deu uma risadinha, pulou para dentro dos lençóis, mas não me respondeu.  Ficou ali, totalmente perdida na história até eu pedir para ela desligar o abajur e ir dormir.

Histórias do Lobinho (de Ian Whybrow)
Lobinho na Escola de Enganação
Diário das Façanhas de Lobinho
O Terror Domesticado
O Detetive da Floresta

Histórias da Pippi Meialonga (de Astrid Lindgren)
Pippi Meialonga
Pippi a Bordo
Pippi nos Mares do Sul

Histórias de Dragão (de Ruth Stiles Gannett)
O Dragão de Meu Pai
Aderbal e o Dragão
Os Dragões da Terra Azul

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pinóquio de Carlo Collodi

Há dias que a Luísa e eu estamos lendo juntas As Aventuras de Pinóquio escrito por Carlo Collodi e traduzido pela Marina Colasanti.  Tem sido uma leitura incrível.  Minha geração cresceu com a versão animada do Walt Disney e por muitos e muitos anos acreditei que “aquele”, o filme, é que fosse a história original.  Quando descobri o livro não tive a menor curiosidade de lê-lo...  Aliás, foi por ocasião do lançamento de outra versão para o cinema que eu me dei conta da existência do Sr. Collodi.  Aluguei o filme Pinóquio para assistir com o Pedro, na época ainda pequenininho, e fiquei chocada com um Pinóquio tão arteiro e encrenqueiro.   Lembro que foi por então que percebi, ou acordei para o fato, de que muitos de meus desenhos favoritos, lembranças maravilhosas de infância, eram na verdade, adaptações para o cinema de grandes clássicos da literatura.

É interessante essa história de ‘clássico’.  O Ítalo Calvino diz que “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”.  Enquanto leio o Pinóquio com a Luísa percebo o quanto isso é verdade.  Rimos, sofremos e nos divertimos imensamente a cada capítulo por isso é tão difícil acreditar que esse livro tenha sido escrito em 1881 (a primeira edição é na verdade de 1883).  As imagens da época abundam e a Luísa pára a cada quanto para perguntar coisas do tipo: “O que é uma taverna?  O que é um purgante?”  No entanto, a emoção da aventura, os sustos e os sobressaltos, tenho certeza de que são os mesmos que sentiam as crianças lá do século 19 enquanto liam os capítulos publicados num jornal italiano da época.   Não canso de me surpreender com a “atualidade” das aventuras do boneco de madeira.

Enquanto a Luísa e eu desfrutamos de mais uma história juntas, me pergunto por que eu nunca li As Aventuras de Pinóquio para o Pedro.  Ele teria gostado tanto!  Mas àquela altura eu não sabia tudo o que sei hoje e nem conhecia o que conheço hoje sobre/da literatura infantil.  Uma pena enorme...  Pelo menos eu li outras coisas para ele e acho que consegui despertar no meu primogênito o amor pelos livros e a paixão pela leitura.  Ele tem um gosto bem definido, preferências bem claras e agora está amadurecendo e começando a compartilhar leituras mais adultas comigo.  Tem se aberto a diferentes sugestões de diferentes estilos literários dos que ele está acostumado a escolher para ler.  Estou pensando aqui quais os clássicos que eu gostaria de ler com ele (ou pelo menos recomendar para ele).  Tenho pânico da história das “leituras para vestibular” e do massacre que o ensino médio faz com a literatura... mas isso é assunto para outro dia.

 Agora vou rever minhas prateleiras e procurar o que me falta ler.  A lista é enorme, mas estou cheia de vontade e tenho ótima companhia.  O próximo livro para compartilhar com a Lulu é o Peter Pan e Wendy, do J.M Barrie.